Oração de Pio XII pelas vocações sacerdotais

Encontrei num livrinho de orações da minha avó, que data de 1961:
Ó Jesus, que na ternura do teu Coração divino deste o primeiro brado de compaixão pela pobre humanidade que suspira por um guia nos ásperos caminhos do mundo para a luz e para a vida, reveste de justiça os teus sacerdotes para que exultem os teus santos. Tu que conheces todos os corações, mostra quais são os escolhidos, a quem queres confiar o sublie ministério da verdade e do amor.

Ilumina a sua mente para que conheçam a inestimável graça da tua divina vocação; fortificai a sua vontade para que não se deixem vencer pela tibieza e pelos prazeres; não se acomodem à displicência dos divertimentos; não se afundem nos pantanais velados por nevoeiros da cobiça humana; não tremam diante do sacrifício, mas abram as asas e voem como águias reais para as alturas serenas e radiosas do teu eterno sacerdócio. Revela aos pais quanto é grande e incomparavelmente belo dar-te os próprios filhos, e conceder-lhes a força de vencer os afetos e interesses puramente humanos.

Inspira às almas generosas o desejo eficaz de socorrer caridosamente os teus escolhidos a quem a pobreza impede de seguir a tua voz.

Dá aos educadores as luzes necessárias para cultivarem em seus corações juvenis a delicada planta da sua vocação,
até o dia em que possam subir, ardentes e puros, o teu santo altar.
E então, ó Jesus, sejam eles verdadeiros anjos para o teu povo. Anjos de pureza, que ao teu amor divino posponham todo o outro amor humano, por terno e santo que seja. Anjos de caridade, que renunciem às doçuras da família terrena para formar outra família maior, da qual serão pais e pastores na qual os pequenos, os infelizes, os cansados, os abandonados serão objeto das suas predileções. Anjos de luz, que façam resplandecer uma fé profunda nas inteligências dos homens. Anjos de sacrifício, que como chamas de hoocausto se consumam pelo bem de seus irmãos. Anjos de conselho e de conforto, que os consolem na dor os sustentem nas lutas, e lhes apontem na hora angustiosa da dúvida a senda da virtude e do dever.

Anjos da graça, que purifiquem, elevem e unam as almas distribuindo-lhes o pão da vida. Anjos de paz, que no momento do último suspiro nelas derramem a suavidade inexpremivel do desejo do teu amor, e lhes abram no extase do teu ósculo divino as portas do céu onde tu és a luz e alegria infinita dos corações, por todos os séculos dos séculos. Amém.
(Indulgência de sete anos cada vez que rezar. Plenária, nas condições comuns, uma vez por mês, recitando diariamente). 

No veritatis tem um texto sobre as indulgências, pra quem acha que é "arranjar um pedaço no céu"...

Missa Tridentina em Blumenau

Todos os que estiverem interessados em receber informações das Missas na chamada "Forma extraordinária do Rito Romano", que em breve serão rezadas também em Blumenau, por favor preencham este formulário abaixo.

Como assistir com fruto a Santa Missa


São João Bosco
A Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é oferecido a Deus nos altares sob as espécies do pão e do vinho consagrados.

Trate de compreender bem, caro amigo, que assistindo à Santa Missa é como se você visse o Divino Salvador, quando saiu de Jerusalém para levar a Cruz ao Calvário, onde, no meio dos mais bárbaros tormentos, foi crucificado, derramando até a última gota de seu sangue

Esse mesmo sacrifício é renovado pelo Sacerdote quando celebra a Santa Missa, com a única diferença que o sacrifício do Calvário foi doloroso para Jesus e foi com derramamento de sangue, ao passo que o sacrifício da Missa é incruento.

Como não se pode imaginar coisa mais santa e mais preciosa do que o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo, assim, ao assistir à Missa, você deve estar convencido de que faz a ação mais santa e gloriosa aos olhos de Deus e benéfica para sua alma. Jesus Cristo vem em pessoa aplicar a cada um de nós em particular os merecimentos daquele Sangue adorável, que derramou por nós no Calvário. Isso deve nos inspirar suma estima para com a Santa Missa e ao mesmo tempo um vivíssimo desejo de assistir bem a ela. 

O triste fato de vermos tantas pessoas voluntariamente distraídas, sem modéstia, sem atenção, sem respeito, de pé, olhando para cá e para lá, faz-nos pensar que não assistem ao divino sacrifício como Nossa Senhora e São João, e sim, como os Judeus, crucificando outra vez Nosso Senhor, com grande escândalo para os companheiros e desonra para nossa fé!

Assista, pois, meu caro amigo, à Santa Missa com espírito de verdadeiro cristão, meditando a começar pelo dolorosa Paixão que Jesus Cristo sofreu pela nossa salvação. Durante a Missa você deve estar com modéstia e recolhimento que nada possa perturbar. A mente, o coração, todos os pensamentos estejam unicamente ocupados em honrar Deus. Recomendo, faça grande empenho em assistir à Santa Missa todos os dias, até com alguns sacrifícios. 

Santo Isidoro, que servia nos trabalhos do campo, para ir à Missa se levantava de madrugada, para poder depois, no tempo marcado, estar pronto para fazer os trabalhos que o patrão lhe determinava. Desse modo, atraía sobre si todas as bênçãos de Deus e todo trabalho era bem executado. Lembre-se sempre de oferecer a Santa Missa em sufrágio pelas almas do Purgatório.


Breves Orações (em silêncio):
  
Antes da Santa Missa: Meu Senhor e meu Deus, ofereço-vos este santo sacrifício para a vossa maior glória e para o bem de minha alma. Concedei-me a graça que meu coração e a minha mente somente se ocupem de Vós. Afastai de minha alma toda distração e preparai-me bem para assistir a esta Santa Missa com o maior recolhimento.

Ato penitencial: Senhor, tende misericórdia desta minha pobre alma e das de todos aqueles por quem sou obrigado a rezar.

Oração Coleta: Recebei, ó Senhor, as orações que vos dirige este sacerdote em nosso nome. Concedei-me a graça de viver e morrer como cristão em unidade com a Santa Madre Igreja.

Ofertório: Ofereço-vos, ó meu Deus, pelas mãos do sacerdote, o pão e o vinho que devem ser transubstanciados no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Ofereço-vos também o meu coração e a minha vontade, para que possam sempre estar ao vosso serviço.

Elevação da Hóstia: Humildemente prostrado, eu vos adoro, meu Senhor, e creio firmemente, que estais presente na Santíssima Eucaristia.

Elevação do Cálice: Eterno Pai, adoro o preciosíssimo Sangue derramado pelo vosso divino Filho para a salvação da minha alma. Recebei-o pela minha salvação e pelas necessidades da Igreja.

Ação de graças após a Comunhão: Agradeço-vos, meu Jesus, por terdes sacrificado por mim; fazei que eu sempre possa me sacrificar por Vós. 

Papa Bento em Fátima em 2010

O Santo Padre visitará o Santuário de Fátima no dia 13 de maio de 2010, aniversário da primeira aparição da Virgem de Fátima aos três pastorinhos. Será muita ousadia de minha parte pensar que pode se dar nessa oportunidade a tão necessária consagração da Rússia ao Imaculado Coração?
Não é de esquecer que a Cruzada de 12 milhões de Rosários que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X oferecerá ao Santo Padre, nesta intenção, se encerrará na data de 25 de março, um mês e meio antes da visita.
Queira o Bom Deus... Embora eu pense que não sou digna de testemunhar um momento tão grandioso na história da humanidade.

Descobertas na imagem de Nossa Senhora de Coromoto intrigam cientistas

Magnífico!E aqui tem um pequeno texto sobre a Virgem de Coromoto.

Foram feitos surpreendentes achados na imagem de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, por ocasião de um restauro. As descobertas têm forte analogia com as já feitas na imagem miraculosa de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, padroeira das Américas.
A de 2,5 cm de altura por 2 cm de largura, após 357 anos da aparição nunca foi objeto de nenhuma restauração especial. Um laboratório foi montado especialmente perto do Santuário. Os restauradores Pablo Enrique González e Nancy Jiménez estiveram à frente de uma equipe de trabalho composta por 14 especialistas.
Ao longo do processo foram descobertos elementos desconhecidos. A água empregada no tratamento saía sem bactérias e com um pH neutro, fato inexplicável para os cientistas.
Estudando a imagem limpa foram detectados diversos símbolos que, segundo o antropólogo Nemesio Montiel, tem origem indígena como a própria coroa da Sagrada Imagem. O trono da Virgem aparece claramente montado dentro de uma construção de taipa típica dos índios.
No microscópio foi possível identificar os olhos da Virgem. Eles medem aproximadamente 0,2 milímetros, porém pode se distinguir o desenho do iris. O fato desconcertou os especialistas, pois achavam que os olhos eram simples pontos.
Ainda mais, estudando o olho esquerdo através do microscópio puderam discernir um olho com características humanas. Nele os especialistas diferenciaram com clareza a órbita ocular, o conduto lacrimal, o iris e um pequeno ponto de luz nele.
Mas, a surpresa estava começando. Maximizando o ponto de luz os especialistas julgaram detectar uma figura humana que se assemelha muito à de um indígena.
A imagem está feita de uma espécie de compensado de algodão, material que humanamente não se entende que se mantenha intato após mais de três séculos e meio de exposição sem proteção técnica especial.
Até neste aspecto sem explicação a imagem de Nossa Senhora de Coromoto se assemelha à de Nossa Senhora de Guadalupe.

(vídeo em espanhol)

Os paradoxos da santidade

Apesar de hoje viver no esquecimento, Gustavo Corção foi um ótimo escritor católico. E graças a Editora Permanência, temos acesso a seus escritos. Hoje, deixo aqui alguns trechos minúsculos de uma gigantesca (e muito boa!) conferência pronunciada por ele a respeito de Santa Catarina de Siena.
Salve Maria!
Gustavo Corção
Todos nós sabemos que o bem deve ser procurado e o mal evitado; e que este fundamental discernimento, estandarte dos santos, é o mesmo que carregamos em nossas pobres pelejas cheios de tropeços e vacilações. Todos nós procuramos, sinceramente, fugir ao pecado mortal; mas muitas vezes — ai de nós! — permitimos que o seu gosto e a sua saudade se insinuem em nossos corações.
São Francisco de Salles, descrevendo muito bem as fraquezas dessas incompletas purgações, comparou-as aos Israelitas que Moisés libertara do Egito. Tinham todos deixado para trás o exílio e o trabalho servil nas olarias, mas nem todos se haviam despojado inteiramente da afeição pelo jugo, e por isso, nos dias mais difíceis do deserto, lamentavam-se relembrando, como vantagens da escravidão, as carnes saborosas do Egito e as cebolas fartas. Assim também — acrescenta o santo Doutor — são os penitentes que se abstém do pecado a conselho do confessor, como os doentes se abstém do melão a conselho do médico.
Nós que não somos santos, ai de nós, construímos e cultivamos nossas pequenas virtudes de um modo mesquinho, como o homem que, desejando agasalhar-se em pouco pano, encolhe-se nas dobras exíguas e trata de não fazer gestos muito amplos. Quando tentamos alargar esta ou aquela virtude de nossa maior afeição, não temos outro remédio senão furtar, às escondidas de nós mesmos, alguns metros das outras. Cultivada a mansidão, fica desfalcada a coragem; exercitada a obediência, empobrece-se o espírito de iniciativa e, às vezes, o gosto pela veracidade. Tentando evitar os desequilíbrios mais fortes o que nos resta é sofrear cautelosamente os desejos. Foge-se assim às tentações abafando as aspirações. E vai-se pela vida afora, devagar, como o sujeito que anda às apalpadelas, no escuro, com medo das cadeiras.
Este pequeno equilíbrio moral, que nos impede de assassinar os parentes mais incômodos, e de esgueirar a mão no casaco do amigo em busca de sua carteira, caracteriza-se por uma retração, um encolhimento, uma aproximação dos extremos. E neste acanhado conjunto é às vezes um defeito que nos protege de um vício. Por timidez, livramo-nos de certas audácias. Das más, sem dúvida; mas das boas também.
É nesse sentido que se costuma dizer, com acerto, que temos os defeitos de nossas qualidades. Diz-se, por exemplo, que o brasileiro é geralmente bondoso e paciente, e pouco vingativo, porque é displicente na justiça. Perdoa com facilidade, inclusive os homicidas, e principalmente os delapidadores do patrimônio comum. A mole e simpática resultante desse quadro de virtudes encolhidas não suporta a dilatação sem que um trágico desequilíbrio se evidencie. Crescendo o edifício, logo aparece o aleijão, e não é preciso esperar muito tempo pelas catastróficas conseqüências.
Na santidade, ao contrário, o que logo se vê, com fulgurante evidência, é a dilatação da alma e o alargamento dos extremos. A mansidão se vê acompanhada da coragem; a temperança de um santo como Bento Labre, que passa a vida inteira dizendo: pouco... pouco... , completa-se com um infinito desejo de posse; a misericórdia se abraça com um ardente sentimento de justiça. As virtudes, que no homem ainda sujeito às leis dos sentidos, ou mal libertado desse jugo, eram meras disposições facilmente abaláveis (faciles mobiles), e sem conexão orgânica, tornam-se, pela infusão da Caridade e pelo acréscimo dos dons, virtudes reais, forças verdadeiras, dificilmente abaláveis (difficiles mobiles) organicamente e harmoniosamente conexas. E, em lugar do tíbio e claudicante indivíduo que apenas consegue fazer algumas coisas boas, à custa de compromissos, demissões e pusilanimidades, vê-se então esta alma vivificada pela graça abrir as grandes asas das virtudes que nos pareciam opostas e paradoxais, erguer-se sem medo no largo vôo dos albatrozes.
Ora, é esse prodigioso alargamento dos extremos, essa riqueza de paradoxos, esse vôo poderoso de asas bem abertas, que dá à fisionomia de Santa Catarina de Sena um realce singular. Desta, pode-se dizer como a Igreja o diz no intróito de sua missa: ela amou o bem e odiou a iniqüidade. Nela, desde o hábito preto e branco de mantellata (Terceira Dominicana), tudo eram contrastes. (os negritos são meus).

Discurso do Santo Padre aos bispos brasileiros

Salve Maria!
Este blog é uma pequena novidade na blogosfera católica. É uma novidade também para mim, eis que nunca tive um blog. Este é do meu amigo Herr Cardoso, católico como eu, que me franqueou seu espaço para que eu o ajude na grata tarefa de fazer divulgar a sã doutrina.
Pois bem, pretendo usá-lo da maneira mais correta e fiel a seu objetivo, mas como desconheço a existência de um "código moral blogosférico", servir-me-ei tão somente da boa educação e da caridade. Estou aberta às correções fraternas.

Então vamos lá. A primeira coisa que achei digna de ser repassada neste dia foi a grandiosa alocução de nosso amado Bento, que encontrei hoje de manhã cedo num blog italiano, e tentei de todos os meios traduzir mentalmente, mas foi impossível : )
Não obstante minha ignorância linguística, pude notar que se tratava de uma fala "impopular" do Papa, um ataque aos hermeneutas brasileiros da ruptura; então só me restou aguardar pacientemente a tradução do texto por algum site de língua portuguesa. Não demorou, Oblatvs e Fratres in Unum o fizeram.
Queira Deus que os Bispos não se façam de sonsos depois dessa, porque o Papa está, sim, chamando-lhes a atenção por seu mau pastoreio.
Segue a tradução de Oblatus.  

Discurso do Papa Bento XVI aos Bispos do Brasil (Grupo I – Oeste 1 e Oeste 2) em visita ad limina – 2009
Queridos Irmãos no Episcopado,
Com sentimentos de íntima alegria e amizade, acolho e saúdo a todos e cada um de vós, amados Pastores dos Regionais Oeste 1 e 2 no âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Com o vosso grupo, abre-se a longa peregrinação dos membros desta Conferência Episcopal em visita ad limina Apostolorum, que me dará ocasião de conhecer melhor a realidade das respectivas comunidades diocesanas. Serão jornadas de partilha fraterna para refletirmos juntos sobre as questões que vos preocupam. Um momento profundamente esperado desde aqueles inesquecíveis dias de maio de dois mil e sete, em que durante a minha visita ao vosso país pude experimentar todo o carinho do povo brasileiro pelo Sucessor de Pedro e, de modo especial, quando tive a possibilidade de abraçar com o olhar todo episcopado desta grande nação no encontro na catedral da Sé, em São Paulo.

Com efeito, só o coração grande de Deus pode conhecer, guardar e reger a multidão de filhos e filhas que Ele mesmo gerou na vastidão imensa do Brasil. Ao longo dos nossos colóquios destes dias, emergiam alguns desafios e problemas que enfrentais, como o Arcebispo de Campo Grande referia ao início deste nosso encontro. Impressionam as distâncias que vós mesmos, juntamente com vossos sacerdotes e demais agentes missionários, tendes de percorrer para servir e animar pastoralmente os respectivos fiéis, muitos deles a braços com problemas próprios duma urbanização relativamente recente onde o Estado nem sempre consegue ser um instrumento de promoção da justiça e do bem comum. Não vos desanimeis! Lembrai-vos que o anúncio do Evangelho e a adesão aos valores cristãos, como afirmei recentemente na Encíclica Caritas in Veritate «é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral» (n. 4). Obrigado, Senhor Dom Vitório, pelas amáveis palavras e devotados sentimentos que me dirigiu em nome de todos e que me apraz retribuir com votos de paz e prosperidade para o povo brasileiro neste significativo dia da sua Festa Nacional.

Como Sucessor de Pedro e Pastor universal, posso assegurar-vos que o meu coração vive dia a dia as vossas inquietudes e canseiras apostólicas, não cessando de lembrar junto de Deus os desafios que enfrentais no crescimento das vossas comunidades diocesanas. Em nossos dias, e concretamente no Brasil, os trabalhadores na Messe do Senhor continuam a ser poucos para a colheita que é grande (cf. Mt9, 36-37). Não obstante a carência sentida, é verdadeiramente essencial uma adequada formação daqueles que são chamados a servir o Povo de Deus. Por essa razão, no âmbito do Ano Sacerdotal em curso, permiti que me detenha hoje a refletir convosco, amados Bispos do Oeste brasileiro, sobre a solicitude qualificativa do vosso ministério episcopal que é a geração de novos pastores.

Embora seja Deus o único capaz de semear no coração humano a chamada para o serviço pastoral do seu povo, todos os membros da Igreja deveriam interrogar-se sobre a urgência íntima e o real empenho com que sentem e vivem esta causa. Um dia, quando alguns dos discípulos temporizavam observando que faltavam «ainda quatro meses» para a colheita, Jesus rebateu: «Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos, como estão dourados, prontos para a colheita» (Jo 4, 35). Deus não vê como o homem! A pressa do bom Deus é ditada pelo seu desejo de que «todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2,4). Há tantos que parecem querer consumir a vida toda em um minuto, outros que vagueiam no tédio e na inércia, ou abandonam-se a violências de todo gênero. No fundo, não passam de vidas desesperadas à procura da esperança, como o demonstra uma difusa embora às vezes confusa exigência de espiritualidade, uma renovada busca de pontos de referência para retomar a estrada da vida.

Prezados Irmãos, nos decênios sucessivos ao Concílio Vaticano II, alguns interpretaram a abertura ao mundo, não como uma exigência do ardor missionário do Coração de Cristo, mas como uma passagem à secularização, vislumbrando nesta alguns valores de grande densidade cristã como igualdade, liberdade, solidariedade, mostrando-se disponíveis a fazer concessões e descobrir campos de cooperação. Assistiu-se assim a intervenções de alguns responsáveis eclesiais em debates éticos, correspondendo às expectativas da opinião pública, mas deixou-se de falar de certas verdades fundamentais da fé, como do pecado, da graça, da vida teologal e dos novíssimos. Insensivelmente caiu-se na auto-secularização de muitas comunidades eclesiais; estas, esperando agradar aos que não vinham, viram partir, defraudados e desiludidos, muitos daqueles que tinham: os nossos contemporâneos, quando vêm ter conosco, querem ver aquilo que não vêem em parte alguma, ou seja, a alegria e a esperança que brotam do fato de estarmos com o Senhor ressuscitado.

Atualmente há uma nova geração já nascida neste ambiente eclesial secularizado que, em vez de registrar abertura e consensos, vê na sociedade o fosso das diferenças e contraposições ao Magistério da Igreja, sobretudo em campo ético, alargar-se cada vez mais. Neste deserto de Deus, a nova geração sente uma grande sede de transcendência.

São os jovens desta nova geração que batem hoje à porta do Seminário e que necessitam encontrar formadores que sejam verdadeiros homens de Deus, sacerdotes totalmente dedicados à formação, que testemunhem o dom de si à Igreja, através do celibato e da vida austera, segundo o modelo do Cristo Bom Pastor. Assim esses jovens aprenderão a ser sensíveis ao encontro com o Senhor, na participação diária da Eucaristia, amando o silêncio e a oração, procurando, em primeiro lugar, a glória de Deus e a salvação das almas. Amados Irmãos, como sabeis, é tarefa do Bispo estabelecer os critérios essenciais para a formação dos seminaristas e dos presbíteros na fidelidade às normas universais da Igreja: neste espírito devem ser desenvolvidas as reflexões sobre este tema, objeto da assembléia plenária da vossa Conferência Episcopal, em abril passado.

Certo de poder contar com o vosso zelo no tocante à formação sacerdotal, convido todos Bispos, seus sacerdotes e seminaristas a reproduzirem na vida a caridade de Cristo Sacerdote e Bom Pastor, como fez o Santo Cura d’Ars. E, como ele, tomem por modelo e proteção da própria vocação a Virgem Mãe, que correspondeu de um modo único ao chamado de Deus, concebendo no seu coração e na sua carne o Verbo feito homem para doá-lo à humanidade. Às vossas dioceses, com uma cordial saudação e a certeza da minha oração, levai uma paterna Bênção Apostólica.
Fonte: Santa Sé, via Oblatus
 

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